{"id":833,"date":"2021-01-23T19:58:33","date_gmt":"2021-01-23T22:58:33","guid":{"rendered":"https:\/\/bpxconsultoria.com.br\/?p=833"},"modified":"2021-06-23T16:32:06","modified_gmt":"2021-06-23T19:32:06","slug":"erros-no-processamento-e-leitura-dos-cartoes-em-gel-reagentes-e-dupla-populacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bpxconsultoria.com.br\/en\/erros-no-processamento-e-leitura-dos-cartoes-em-gel-reagentes-e-dupla-populacao\/","title":{"rendered":"Errors in Processing and Reading of Gel Cards &#8211; Reagents and Double Population"},"content":{"rendered":"<p>Reagents have \u201climitations\u201d that can be reflected in the potency of the observed reaction, understanding these limitations helps to interpret the result.<\/p>\n<p>There are monoclonal sera, and polyspecific sera. The monoclonal serum was produced to search for a specific epitope, and in its absence, it may be non-reactive or have a weak reaction, polyspecific sera have a lower specificity, but this same characteristic opens up a range of detection opportunities.<\/p>\n<p><em><span style=\"color: #bd0900;\">\u201cOs anticorpos monoclonais s\u00e3o projetados em laborat\u00f3rio para reconhecer especificamente marcadores proteicos especiais na superf\u00edcie das hem\u00e1cias. Os reagentes monoclonais anti\u2011D s\u00e3o de origem humana e, dependendo do clone, podem ser IgG ou IgM. Eles s\u00e3o comercializados separadamente (Reagente IgG ou IgM) ou em misturas de clones (IgG + IgM). Esses reagentes com mais de um clone apresentam grande probabilidade de detectar a maioria dos ant\u00edgenos D variantes. Uma boa escolha do reagente a ser utilizado na pr\u00e1tica laboratorial \u00e9 essencial para resultados adequados. \u201d<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em><span style=\"color: #bd0900;\">(Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, 2014)\u00b9<\/span><\/em><\/p>\n<p>Usando o exemplo citado pelo livro, o sistema RhD \u00e9 o mais polim\u00f3rfico e o mais comum de se encontrar varia\u00e7\u00f5es. Se fosse utilizado um reagente monoclonal, ele reconheceria e reagiria fortemente com qualquer hem\u00e1cia que possu\u00edsse um ant\u00edgeno RhD normal, por\u00e9m, sua especificidade diminui sua capacidade de detectar as varia\u00e7\u00f5es, apresentando rea\u00e7\u00f5es enfraquecidas (0-2+) ou falso-negativas. \u00b2<\/p>\n<p>O sistema ABO tamb\u00e9m est\u00e1 sujeito a varia\u00e7\u00f5es, que podem ser impactadas pelo uso dos reagentes. O soro anti-A1 e anti-A2 s\u00e3o bons exemplos.<\/p>\n<p>A estrutura geral do sistema ABO \u00e9 muito similar, \u00e9 composta pela estrutura H que \u00e9 a base sobre a qual s\u00e3o adicionados uma mol\u00e9cula de N-Acetilgalactosamina OU uma mol\u00e9cula de D-Galactose. Se no topo da estrutura H houver uma N-Acetilgalactosamina a pessoa \u00e9 tipo A, se houver uma D-Galactose ela \u00e9 tipo B, e se houver apenas a estrutura H, tipo O.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/bpxconsultoria.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/fig4-1.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-836\" src=\"https:\/\/bpxconsultoria.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/fig4-1.png\" alt=\"\" width=\"1152\" height=\"648\" srcset=\"https:\/\/bpxconsultoria.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/fig4-1.png 1152w, https:\/\/bpxconsultoria.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/fig4-1-300x169.png 300w, https:\/\/bpxconsultoria.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/fig4-1-1024x576.png 1024w, https:\/\/bpxconsultoria.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/fig4-1-768x432.png 768w\" sizes=\"(max-width: 1152px) 100vw, 1152px\" \/><\/a>O subgrupo A<sub>2<\/sub> \u00e9 o mais comum logo depois do A<sub>1<\/sub> (normal), o que os diferencia \u00e9 uma muta\u00e7\u00e3o g\u00eanica. Enquanto no A<sub>1<\/sub> a enzima produzida pelo alelo \u00e9 100% eficiente e consegue adicionar uma mol\u00e9cula de N-Acetilgalactosamina a todas as estruturas H, o subgrupo A<sub>2<\/sub> produz uma enzima menos eficiente que deixa uma abund\u00e2ncia de estruturas H sem a mol\u00e9cula.<\/p>\n<p>Os soros usados para determinar se a pessoa \u00e9 tipo A ou B buscam pela mol\u00e9cula de N-Acetilgalactosamina ou D-Galactose, se n\u00e3o houver reatividade com nenhuma destas, a pessoa \u00e9 tipo O. Quando essa hem\u00e1cia A<sub>2<\/sub> \u00e9 exposta ao soro comum anti-A<sub>1<\/sub>, por causa da baixa oferta de mol\u00e9culas N-Acetilgalactosamina convertidas sobre a estrutura H, o soro n\u00e3o tem reatividade ou pode apresentar dupla popula\u00e7\u00e3o<sup>4<\/sup>, e a prova direta leva a crer que a pessoa \u00e9 tipo O, mas a prova reversa n\u00e3o corresponde porque N\u00c3O acusa anticorpos anti-A como era esperado de uma pessoa tipo O.<a href=\"https:\/\/bpxconsultoria.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/fig3-1.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-835\" src=\"https:\/\/bpxconsultoria.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/fig3-1.png\" alt=\"\" width=\"1152\" height=\"648\" srcset=\"https:\/\/bpxconsultoria.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/fig3-1.png 1152w, https:\/\/bpxconsultoria.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/fig3-1-300x169.png 300w, https:\/\/bpxconsultoria.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/fig3-1-1024x576.png 1024w, https:\/\/bpxconsultoria.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/fig3-1-768x432.png 768w\" sizes=\"(max-width: 1152px) 100vw, 1152px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Ao observar este resultado discrepante, o colaborador pode confirmar se a pessoa \u00e9 um subgrupo de A expondo a hem\u00e1cia a um soro A<sub>2<\/sub>, que buscar\u00e1 a estrutura H ao inv\u00e9s da acetilgalactosamina.<sup>3-5<\/sup><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #bd0900;\">\u201cO uso de lectinas espec\u00edficas anti\u2011A1 (Dolichos biflorus) e anti\u2011H (Ulex europeaus) pode auxiliar na determina\u00e7\u00e3o dos subgrupos. As hem\u00e1cias A1 apresentam rea\u00e7\u00e3o positiva com lectina anti\u2011A1 e negativa com lectina anti\u2011H. Nos subgrupos de A, a rea\u00e7\u00e3o com lectina anti\u2011A1 apresenta rea\u00e7\u00e3o negativa e a anti\u2011H, rea\u00e7\u00e3o positiva.\u201d<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em><span style=\"color: #bd0900;\">(Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, 2014)\u00b9<\/span><\/em><\/p>\n<p>A dupla popula\u00e7\u00e3o ocorre quando existem duas popula\u00e7\u00f5es de hem\u00e1cias distintas coexistindo no paciente, por transfus\u00e3o incompat\u00edvel, confus\u00e3o entre amostras ou contamina\u00e7\u00e3o cruzada na bancada ou transplante de medula.<sup>6<\/sup><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/bpxconsultoria.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/fig2-3.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-834\" src=\"https:\/\/bpxconsultoria.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/fig2-3.png\" alt=\"\" width=\"1152\" height=\"648\" srcset=\"https:\/\/bpxconsultoria.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/fig2-3.png 1152w, https:\/\/bpxconsultoria.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/fig2-3-300x169.png 300w, https:\/\/bpxconsultoria.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/fig2-3-1024x576.png 1024w, https:\/\/bpxconsultoria.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/fig2-3-768x432.png 768w\" sizes=\"(max-width: 1152px) 100vw, 1152px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O que ambas as situa\u00e7\u00f5es apresentadas neste artigo t\u00eam em comum \u00e9 que saber interpretar estes resultados que a princ\u00edpio parecem confusos determina a conduta a seguir com o paciente.<\/p>\n<p>Se houve alguma confus\u00e3o em bancada, basta refazer o processo ou excluir alguma amostra ou reagente que seja suspeito de contamina\u00e7\u00e3o e o problema ser\u00e1 resolvido.<\/p>\n<p>Em um paciente que passou por um processo de transfus\u00e3o de medula onde o doador tinha um tipo ABO distinto, \u00e9 de se esperar que a prova direta apresente dupla popula\u00e7\u00e3o ao longo da recupera\u00e7\u00e3o, est\u00e1 \u00e9 na verdade uma \u00f3tima not\u00edcia porque significa que o transplante deu certo! O motivo da dupla popula\u00e7\u00e3o neste caso \u00e9 que ainda existem em circula\u00e7\u00e3o hem\u00e1cias produzidas pela medula antiga, mas tamb\u00e9m hem\u00e1cias produzidas pela medula transplantada!<\/p>\n<p>\u00c9 importante ter em registros todas as informa\u00e7\u00f5es do doador e do paciente antes do transplante, para fazer a compara\u00e7\u00e3o com o observado em bancada antes de decidir os pr\u00f3ximos passos. Neste caso, as transfus\u00f5es de qualquer hemocomponente precisam respeitar AMBAS as popula\u00e7\u00f5es existentes, n\u00e3o apenas uma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #bd0909;\">*Let\u00edcia Farias Borges<\/span>\u00a0<span style=\"color: #808080;\">\u2013\u00a0Engenheira de Produ\u00e7\u00e3o e p\u00f3s graduada em Hemoterapia.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #bd0909;\">BIBLIOGRAFIA<\/span><\/p>\n<p>1 &#8211; Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. 2014. \u201cImunohematologia Laboratorial\u201d. Retrieved from: http:\/\/bvsms.saude.gov.br\/bvs\/publicacoes\/imuno_hematologia_laboratorial.pdf<\/p>\n<p>2 &#8211; BIO RAD. \u201cA express\u00e3o fenot\u00edpica do ant\u00edgeno D pode variar quantitativamente e qualitativamente.\u201d\u00a0 file:\/\/\/C:\/Users\/leticia.borges\/Downloads\/rh2016-parte4.pdf<\/p>\n<p>3 &#8211; Javadzadeh Shahshahani, H., &amp; Hayati, A. (2020). Blood Group Discrepancies at a Regional Blood Center. <em>International journal of hematology-oncology and stem cell research<\/em>, <em>14<\/em>(1), 38\u201344.https:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pmc\/articles\/PMC7167605\/<\/p>\n<p>4 &#8211; LABCE. \u201cClassifying ABO Discrepancies\u201d. Retrieved from: https:\/\/www.labce.com\/spg1565208_classifying_abo_discrepancies.aspx<\/p>\n<p>5 &#8211; Banerjee, S., Puttaiah, P., Jacob, A., Subramanian, S. \u201cDiscrepancies in Immunohaematological Testing-Importance of Use of Multiple Modalities of Testing\u201d. National Journal Laboratory of Medicine, 2019. Retrieved from:http:\/\/www.njlm.net\/articles\/PDF\/2369\/42548_PD(SHU)_V.1_CE[Ra1]_F(SHU)_PF1(AG_SHU)_PFA(SHU)_PB(AG_SHU)_PN(SHU).pdf<\/p>\n<p>6 &#8211; Sharpe, C., Lane, D., Cote, J., Hosseini-Maaf, B., Goldman, M., Olsson, M. L., &amp; Hult, A. K. (2014). Mixed field reactions in ABO and Rh typing chimerism likely resulting from twin haematopoiesis. <em>Blood transfusion = Trasfusione del sangue<\/em>, <em>12<\/em>(4), 608\u2013610. https:\/\/doi.org\/10.2450\/2014.0261-13<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reagents have \u201climitations\u201d that can be reflected in the potency of the observed reaction, understanding these limitations helps to interpret the result. There are monoclonal sera, and polyspecific sera. 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